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domingo, 23 de julho de 2023

«C de C»: «A Corte do Norte»

MAIS FLORES

A Corte do Norte é um belo filme sobre as mulheres de Agustina. Mulheres entre a santidade e a bruxaria, mulheres que se aconchegam na terra e saltam sobre as falésias, mulheres que metem medo. Ana Moreira é Sissi, Rosalina, Emília de Sousa, Águeda, Rosamund e Judith - múltipla nas personagens e revolta por natureza. Não se sabe bem o que combate, talvez o mais difícil: o tempo e a morte. João Botelho filma-a nos sítios mais perigosos ou no meio de flores.  Camélias, magnólias, hortênsias; flores que alastram pelos vestidos e pelas paredes, espalhando um cheiro bravio e cores fortes.

Como pode o cinema fechar - e aqui discordo do que o realizador afirmou na apresentação do filme em Serralves, citando Manuel de Oliveira e fazendo um elogio ao poder invisível da literatura - se a cada imagem, ou entre as imagens e os sons tudo explode e se recompõe? Esse é o mistério indomável que desorienta os nossos desejos.

                                                          Cristina Fernandes. C de C, Flop, p. 149

sexta-feira, 21 de julho de 2023

«C de C» : a Cena preferida

 - obra «miscelânica», de curtas narrativas que «cruzam Géneros de Famílias Diarísticas», de Março, 22, os índices de Filmes e de Realizadores, no final, permitiram incursões várias, no ano passado; agora, na Zmab, vai «de Fio a Pavio»

RECORTE(S):  [OUTRO]

A CELEBRAÇÃO

É difícil escolher a minha cena preferida de A Rapariga da Mala. Há tantas possibilidades. A primeira vez que Lorenzo vê Aida, tão pequena, lá em baixo, com a mala ao pé, e ele no cimo das escadas, enquadrado pelas colunas. ou então as cenas finais da praia e da estação juntas, escritas pelo próprio Zurlini, e que, talvez por isso, são tão amargas e dolorosas. mas não, a minha cena preferida começa aqui: depois do feliz plano da bicicleta. [...]

                                                 Cristina Fernandes. C de C, Flop, p. 91

segunda-feira, 27 de março de 2023

Elizabeth Taylor + Natalie Wood

Recorte(s) do livro AUTOBIOG. de Manuel S. Fonseca**, um dos que vão sendo lidos...; com as referèncias cinéfilas a «estruturarem» as evocações de Infância e de Juventude.  

RECORTES:

       Acabara de me apaixonar por Natalie Wood. Vira-a, acolhedora, a deixar James Dean deitar-lhe a cabeça no colo, em Rebel Without a Cause. O que ela, adolescente, fazia no filme, um sorriso triste, beijos só de lábios a roçarem lábios, sonhava eu que era comigo. [...]
    Nessas férias de 68, nas noites cacimbadas de Luanda, o Cinema Império passava um festival de reposições. Jurara promessas à ternura de Natalie Wood, mas noite é noite [...] e fui à descoberta..
     Exibia-se The Sandpiper. O filme, embora assinado por Vincente Minnelli, não é extraordinário. Apenas veículo para a arrasadora paixão que Elizabeth Taylor e Richard Burton viviam na vida real. Já a vira, à menina Taylor, Cleópatra [...] Agora, em The Sandpiper, numa praia californiana, Elizabeth era bastante menos do que a actriz de Cleópatra, era uma mulher. [...]

Manuel S. Fonseca, Crónica de África, 2023, p. 83

** emprestado, desde princípios de Maio, a P. G. (de AUDIOV.), por a mãe, a professora Vera G. [que D. conheceu, em 9394, no D. P. V], aí ser representada, no Anexo...]

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

«A selva é obscena» - Fitzcarraldo (O diário da rodagem)

 - leitura retomada, às 9 e 15, ...]

IQUITOS, 8.12.80

[...] Dia parado, abafado e húmido. Inactividade junta-se a inactividade, nuvens imóveis fitam-nos, pesadas, do céu, a febre reina, a bicharada prolifera em proporções obscenas. A selva é obscena. Tudo é pecado, e por isso o pecado não dá nas vistas enquanto tal. As vozes na selva estão silenciosas, nada se mexe, paira sobre tudo uma ira indolente, inerte. Não há maneira de a roupa no estendal secar. Como se houvesse um encontro secreto, moscas gordas e reluzentes aglomeram-se sobre a mesa. [...]

                  Werner Herzog, A conquista do Inútil, Tinta-da-china, 2017, pp. 132

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Fitzcarraldo - (o diário da rodagem de) - «a conquista do inútil»

 - tradução de 2017, de original de 2004, terá sido apenas começado durante algum CdeT...; reencontrado neste Ciclo de Arrumações...; apresenta mancha(s) de algum «derrame», incluindo na «capa» de vegetal...talvez de Café... - coisa  que raramente acontece com D. ...- ...de que não se lembra [...]

- quanto ao filme - [V. H. AQUI] - que lhe deixou «funda impressão», viu-o no Estúdio (sobre o Império), talvez em... - lembra-se também de ter então lido vários artigos sobre tão «louca empresa» [...]

- a 30, alcançada a p. 122; recorte(s) daí:

MANAUS - IQUITOS, 2.8.80
Febre. No avião, mulheres gordas, suadas, indelicadas, [...] Voei para Iquitos com uma saudade relutante. Sensação opressiva de prosseguir algo que poderei, no fim, não conseguir levar a cabo. Se tudo isto se passasse noutro país, teria menos escrúpulos. As maiores insseguranças: os actores, o novo acampamento, o barco sobre o monte, a enormidade da organização que  ainda ninguém compreendeu, os índios, as finanças - a lista pode continuar. Vista do avião, a extensão da floresta virgem é assustadora, ninguém imagina, a não ser que tenha lá estado. Não precisamos de artistas da sintaxe.
[...] Andreas estava lá, e conferenciámos logo sobre o novo método que ele sugerira para transportar o barco por cima do monte. À primeira vista, o sistema com os seus arcos insufláveis parece óbvio, mas tenho duvidas, pois é necessária alguma experiência no seu manejo; por outro lado, não ficará bem no ecrã. [...]

Werner Herzog, A conquista do Inútil, Tinta-da-china, 2017, pp. 122-3

[perto das 12; G. O. elogiou o livro e tudo de W. H., oferecendo.se para copiar vários filmes para D.; Well...]